Presidente da CUT-AM e do Sindicato dos Metalúrgicos defende aumento do auxílio-alimentação, reajuste salarial e melhores condições de trabalho para a categoria
Os trabalhadores do transporte especial de Manaus paralisaram, nesta quinta-feira (20), as rotas que atendem o Distrito Industrial. Além do reajuste salarial de 3%, rejeitado pela categoria, os motoristas cobram aumento do auxílio-alimentação, redução da jornada e melhores condições de trabalho.
Diante da mobilização, o presidente da Central Única dos Trabalhadores no Amazonas (CUT-AM) e do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, Valdemir Santana, declarou apoio às reivindicações.
Para o dirigente, os pedidos apresentados pelos trabalhadores são legítimos. Segundo ele, a principal questão envolve o direito básico à alimentação durante a jornada de trabalho.
“Como é que pode passar o dia todinho sem ter o direito de se alimentar, não ter direito ao café da manhã e não ter direito ao almoço?”, questionou Valdemir.
Auxílio-alimentação é considerado insuficiente
Atualmente, conforme relatado pelo dirigente sindical, a proposta das empresas prevê R$ 6 para custear três refeições por dia: café da manhã, almoço e lanche.
No entanto, Valdemir considera o valor insuficiente para a rotina dos motoristas. Isso porque os profissionais passam grande parte da jornada nas ruas e precisam realizar as refeições durante o trabalho.
“Eles comem no meio da rua, praticamente. Então, R$ 6não dá”, afirmou.
Por isso, a categoria reivindica um auxílio maior, auxílio-refeição de R$ 540,00 e auxílio cesta básica de R$ 560,00, além de reajuste salarial de 12%.
Dessa forma, os trabalhadores defendem que o benefício acompanhe os custos reais das refeições realizadas durante a jornada.
Motoristas também cobram reajuste salarial
Além da alimentação, os trabalhadores reivindicam reajuste salarial. De acordo com Valdemir Santana, a categoria está há mais de um ano sem atualização dos salários.
O dirigente também relacionou a situação dos motoristas às negociações salariais de outras categorias do Polo Industrial de Manaus.
“Faz 13 meses que não tem reajuste. Aí eu pergunto: a moto não aumentou, a TV não aumentou, o celular não aumentou. Como é que o nosso salário não aumenta?”, questionou.
Diante desse cenário, Valdemir defende que as negociações avancem para garantir a recomposição salarial dos trabalhadores.
Jornada começa durante a madrugada
Outro ponto destacado pelo presidente da CUT-AM é a rotina dos motoristas do transporte especial.
Segundo Valdemir, muitos profissionais precisam acordar durante a madrugada para iniciar as primeiras rotas rumo ao Distrito Industrial.
“Os companheiros motoristas especiais se acordam antes da gente. Se acordam três da manhã para fazer rota e para levar para o Distrito”, afirmou.
Além disso, o transporte especial atende trabalhadores de diferentes empresas e também realiza rotas destinadas às creches utilizadas pelos filhos dos funcionários.
Valdemir destacou ainda a presença de trabalhadoras grávidas entre os profissionais do setor. Por isso, ele defende que as condições de trabalho sejam consideradas durante as negociações.
CUT apoia mobilização dos trabalhadores
Durante a manifestação, Valdemir Santana ressaltou a presença de sindicatos ligados à CUT e declarou solidariedade à categoria.
“Hoje aconteceu uma coisa inédita: uma manifestação dos companheiros do Sindicato dos Transportes Especiais, coincidentemente com a presença da CUT e dos sindicatos ligados à CUT”, declarou.
Para o dirigente, a mobilização reforça a necessidade de negociação entre trabalhadores e empresas. Além disso, ele considera que o movimento apresenta reivindicações relacionadas às condições básicas de trabalho.
“Nós queremos que os trabalhadores tenham o direito de trabalhar e se alimentar”, afirmou.
Paralisação afeta rotas do Distrito Industrial
A paralisação ocorre em diferentes pontos de Manaus e afeta o transporte de trabalhadores para o Polo Industrial.
Consequentemente, o movimento também provoca reflexos no trânsito e interfere na rotina das empresas que dependem do transporte especial.
Entidades ligadas ao setor industrial defendem diálogo para evitar novos impactos na produção. Por outro lado, os trabalhadores afirmam que a negociação precisa considerar as reivindicações apresentadas pela categoria.
Negociação pode buscar acordo
Para Valdemir Santana, o impasse pode ser solucionado por meio do diálogo entre trabalhadores, sindicatos e empresas.
Assim, a expectativa é que as partes avancem nas negociações sobre reajuste salarial, auxílio-alimentação, jornada e condições de trabalho.
“Eu tenho certeza que a reivindicação é verdadeira. Logo, logo vai ser tudo resolvido”, afirmou Valdemir.
Enquanto as negociações continuam, os trabalhadores mantêm a pressão por uma proposta que considere as necessidades da categoria e garanta melhores condições para quem inicia a jornada ainda durante a madrugada.