Luciano José Uchôa Araújo, de 26 anos, é apontado como proprietário do veículo recolhido durante a Operação Combustão. Além disso, ele esteve envolvido em um atropelamento que matou um venezuelano em 2022.

Manaus (AM) — A Polícia Federal (PF) apreendeu um Citroën no Condomínio Reserva Inglesa, em Manaus, durante a Operação Combustão. Segundo informações divulgadas, o veículo pertence a Luciano José Uchôa Araújo, de 26 anos. O nome dele, por sua vez, já apareceu em um caso de atropelamento fatal ocorrido na capital amazonense.

A operação investiga suspeitas de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e irregularidades eleitorais no Amazonas. Para isso, os agentes cumpriram mandados judiciais e recolheram o automóvel em uma residência do condomínio de luxo.

PF apreende Citroën durante operação no Amazonas

O carro apreendido é um Citroën Basalt, de placa TRY6A42. Conforme as informações divulgadas, duas viaturas acompanharam a retirada do veículo da garagem da residência.

A Operação Combustão apura possíveis irregularidades relacionadas às eleições de 2022. Nesse contexto, a investigação envolve contratos da Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (AADESAM).

Segundo as suspeitas investigadas, recursos públicos teriam financiado atividades de mobilização eleitoral. Além disso, trabalhadores contratados pela agência teriam atuado em atividades ligadas à campanha de Roberto Cidade.

A PF também apura possíveis tentativas de ocultação ou destruição de provas. Entre os pontos investigados, estão o desaparecimento e a manipulação de computadores do setor de Recursos Humanos da AADESAM.

 

Justiça determina bloqueio de R$ 17 milhões

As medidas judiciais relacionadas à operação incluem o bloqueio de R$ 17 milhões em bens dos investigados. Entre os nomes citados nas informações divulgadas está José Nilmar Alves de Oliveira, ex-presidente da AADESAM.

Agora, os investigadores buscam esclarecer a destinação dos recursos e identificar a participação de cada suspeito. Entretanto, a apreensão do Citroën, por si só, não comprova o envolvimento de seu proprietário nos crimes investigados.

Caso de atropelamento matou venezuelano em Manaus

O episódio também resgata um caso ocorrido em 9 de setembro de 2022. Naquela data, um atropelamento na avenida Nathan Xavier, na zona Centro-Sul de Manaus, matou o venezuelano Victor Raul Rodrigues, de 44 anos.

Na época, testemunhas relataram que Luciano dirigia em alta velocidade e teria realizado uma ultrapassagem antes da colisão. Em seguida, segundo os relatos, ele abandonou o carro e tentou deixar o local.

No entanto, populares o encontraram em um posto de combustíveis e o contiveram até a chegada da Polícia Militar. Posteriormente, os policiais o conduziram ao 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP).

Conforme as informações divulgadas sobre o caso, Luciano prestou depoimento e acabou liberado. A decisão gerou questionamentos públicos sobre os procedimentos adotados pelas autoridades.

Ainda assim, uma avaliação precisa da conduta policial depende da análise dos registros oficiais e das circunstâncias da ocorrência.

Adesivos de Wilson Lima e Bolsonaro provocaram questionamentos

Outro detalhe chamou a atenção na época: o veículo envolvido no atropelamento exibia adesivos com imagens do governador Wilson Lima, do União Brasil, e de Jair Bolsonaro, então presidente da República e filiado ao PL.

Por esse motivo, a identificação política do automóvel provocou questionamentos sobre um possível favorecimento. Contudo, a presença dos adesivos, isoladamente, não comprova privilégios ou interferência nas investigações.

Até o momento, as informações divulgadas sobre a nova apreensão também não demonstram uma relação direta entre o acidente de 2022 e os fatos apurados pela Operação Combustão.

Operação investiga suspeitas de crimes eleitorais

A Operação Combustão investiga suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa e falsidade ideológica eleitoral.

Nesse sentido, os investigadores procuram esclarecer se agentes públicos ou particulares utilizaram contratos e estruturas administrativas para favorecer atividades eleitorais. Ao mesmo tempo, buscam identificar a responsabilidade individual de cada envolvido.

Dessa forma, a apreensão do Citroën recoloca Luciano no noticiário policial. Entretanto, a medida não significa que ele seja responsável por todos os crimes apurados na operação.

Por fim, as autoridades deverão esclarecer os fatos e reunir elementos para eventuais acusações. Enquanto isso, os envolvidos mantêm o direito à defesa e à presunção de inocência.