MANAUS — Entidades sindicais do Amazonas manifestaram repúdio à visita de Flávio Bolsonaro a Manaus. O candidato à Presidência da República tem agenda prevista no Polo Industrial de Manaus (PIM).

A presença do senador nas fábricas gerou questionamentos entre os representantes dos trabalhadores. Isso ocorre, principalmente, por causa de declarações feitas por Flávio Bolsonaro durante a votação da Reforma Tributária, em 2023.

Na ocasião, o senador criticou a manutenção das vantagens comparativas da Zona Franca de Manaus (ZFM). Agora, as entidades cobram uma posição clara sobre o modelo econômico do Amazonas.

Flávio Bolsonaro criticou a Zona Franca

A manifestação ocorreu em novembro de 2023. Naquele momento, o Senado discutia a Reforma Tributária na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Durante a votação, Flávio Bolsonaro votou contra o texto aprovado na comissão. Além disso, criticou a manutenção das vantagens destinadas à Zona Franca de Manaus.

Naquele debate, o senador fez críticas ao modelo econômico amazonense. Segundo ele, a manutenção das vantagens da ZFM poderia provocar mudanças na localização de empresas.

Além disso, Flávio declarou que “Manaus tem que ser o novo Vale do Silício, e o resto do Brasil, uma Argentina”.

O discurso consta nos registros oficiais do Senado Federal. Dessa forma, as entidades utilizam a declaração como referência para questionar a visita do candidato ao Polo Industrial.

Sindicatos questionam visita às fábricas

Diante desse histórico, entidades sindicais decidiram contestar a visita do candidato.

Para os representantes dos trabalhadores, existe uma contradição entre questionar a Zona Franca em Brasília e, posteriormente, visitar empresas instaladas em Manaus.

Por isso, os sindicatos defendem uma posição objetiva. Segundo as entidades, candidatos à Presidência precisam apresentar propostas claras para o futuro da ZFM.

Além disso, os candidatos devem explicar como pretendem preservar a competitividade do Polo Industrial. Ao mesmo tempo, precisam apresentar medidas para garantir os empregos existentes no Amazonas.

Entre as entidades que integram a manifestação estão o Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal-AM) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Também participam a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), o Sindipetro-AM e a Força Sindical.

Além dessas entidades, a relação inclui o SINDECHRSAM, o Sindivarejista-AM, o SINDICOND/AM e o Sindespecial Manaus-AM.

Por sua vez, o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Manaus (STTRM) também integra a mobilização.

Polo Industrial gera empregos

A Zona Franca possui grande importância para a economia amazonense. Por isso, o Polo Industrial é considerado estratégico para a geração de emprego e renda no Estado.

Atualmente, o PIM reúne centenas de empresas de diferentes setores. Além disso, sua cadeia produtiva movimenta comércio, transporte, serviços e logística.

Segundo dados da Suframa, o Polo Industrial registrou média mensal de 130.903 empregos no primeiro semestre de 2026.

No mesmo período, o faturamento chegou a R$ 121,76 bilhões. O resultado, portanto, demonstra o peso da indústria para a economia do Amazonas.

Consequentemente, qualquer mudança nas regras da Zona Franca gera preocupação entre trabalhadores e empresários.

Além dos empregos diretos, o modelo movimenta uma extensa cadeia de fornecedores. Dessa forma, os efeitos econômicos alcançam diferentes setores da sociedade amazonense.

Zona Franca tem função estratégica

A Zona Franca de Manaus foi criada para promover o desenvolvimento econômico da Amazônia. Desde então, o modelo ajudou a transformar Manaus em um importante polo industrial.

Atualmente, a cidade concentra empresas de diversos segmentos. Entre eles estão os setores de eletroeletrônicos, duas rodas, informática, metalurgia e termoplásticos.

Além da geração de empregos, o modelo possui importância ambiental. Nesse sentido, a atividade industrial oferece uma alternativa econômica à exploração predatória da floresta.

A Suframa também destaca a relação entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental. Portanto, a discussão sobre a ZFM vai além dos incentivos fiscais.

Segundo os sindicatos, é necessário considerar toda a cadeia econômica criada pelo modelo. Afinal, milhares de trabalhadores dependem direta ou indiretamente dessa estrutura.

Trabalhadores cobram coerência

Para os sindicatos, visitar o Polo Industrial exige mais do que uma agenda eleitoral.

Nesse sentido, os representantes dos trabalhadores querem conhecer as propostas de Flávio Bolsonaro para a Zona Franca.

Além disso, cobram garantias para os empregos existentes no Amazonas. Também defendem investimentos capazes de ampliar a produção industrial.

A preocupação, por sua vez, aumentou após as declarações feitas pelo candidato durante a Reforma Tributária.

Na avaliação das entidades, quem pretende governar o Brasil precisa conhecer a realidade econômica da Amazônia. Da mesma forma, precisa compreender as dificuldades enfrentadas pela indústria instalada em Manaus.

Entidades defendem a Zona Franca

A manifestação reforça uma posição histórica do movimento sindical amazonense.

As entidades defendem a manutenção das vantagens comparativas da Zona Franca de Manaus. Além disso, cobram respeito aos trabalhadores do Polo Industrial.

Para os sindicatos, o modelo não representa apenas uma política de incentivos.

Na realidade, a ZFM envolve empregos, renda, empresas, comércio e arrecadação. Além disso, movimenta uma extensa cadeia de fornecedores e serviços.

Por esse motivo, as entidades afirmam que o futuro da Zona Franca precisa estar no centro do debate eleitoral.

A cobrança, portanto, também vale para todos os candidatos à Presidência.

Segundo os representantes dos trabalhadores, o eleitor amazonense precisa conhecer as propostas de cada candidato para a indústria.

No caso de Flávio Bolsonaro, a cobrança ganhou força devido ao posicionamento apresentado por ele em 2023.

Agora, diante da visita a Manaus, os sindicatos querem saber se a posição do candidato permanece a mesma.

Diante disso, a pergunta colocada pelas entidades é direta: qual será o compromisso de Flávio Bolsonaro com a Zona Franca de Manaus e com os trabalhadores do Polo Industrial?

Veja a nota na Integra:

NOTA DE REPÚDIO

Entidades sindicais do Amazonas manifestam seu repúdio à visita do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro a Manaus, especialmente diante da anunciada agenda de visita a fábricas do Polo Industrial de Manaus (PIM).

É legítimo que qualquer autoridade ou candidato conheça a realidade econômica do Amazonas. Entretanto, não podemos aceitar que alguém que já se posicionou publicamente contra a manutenção das vantagens comparativas da Zona Franca de Manaus venha ao Estado para visitar justamente as empresas que existem, investem, produzem e geram empregos graças à estrutura econômica construída pelo modelo.

Em novembro de 2023, durante a votação da Reforma Tributária na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Flávio Bolsonaro se posicionou contra a manutenção das vantagens da Zona Franca de Manaus.

Naquela ocasião, o senador criticou a preservação dos benefícios do modelo e afirmou que “Manaus tem que ser o novo Vale do Silício, e o resto do Brasil, uma Argentina”, argumentando que a manutenção das vantagens da ZFM poderia provocar desemprego em outras regiões do país.

Para as entidades sindicais, a declaração revelou uma visão equivocada sobre a realidade econômica e social da Amazônia e sobre a função estratégica da Zona Franca de Manaus.

A ZFM não é um privilégio concedido ao Amazonas.

É um modelo de desenvolvimento regional criado para promover a industrialização da Amazônia, gerar emprego e renda, fortalecer a economia e oferecer uma alternativa concreta à exploração predatória dos recursos naturais.

O Polo Industrial de Manaus reúne cerca de 600 indústrias e alcançou faturamento de R$ 227,67 bilhões em 2025, com geração de mais de meio milhão de empregos diretos e indiretos em sua cadeia produtiva.

São trabalhadores da indústria, do comércio, dos transportes, da alimentação, dos serviços, da logística e de inúmeras outras atividades que movimentam diariamente a economia do Amazonas.

A Zona Franca também possui uma dimensão ambiental que precisa ser reconhecida.

O modelo permite que o Amazonas tenha uma economia industrializada em plena Amazônia, contribuindo para a manutenção da floresta em pé. A própria Suframa destaca o diferencial ambiental da ZFM e a relação entre desenvolvimento econômico, industrialização e preservação dos recursos naturais.

Além disso, as empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus cumprem contrapartidas e obrigações vinculadas ao modelo, incluindo investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação.

Portanto, não se pode olhar para a Zona Franca de Manaus apenas pela ótica dos incentivos fiscais.

É preciso compreender o que existe por trás desses incentivos: trabalhadores, famílias, empresas, investimentos, tecnologia, arrecadação, comércio e uma extensa cadeia econômica que alcança praticamente todos os setores da sociedade amazonense.

Por isso, causa indignação que um político que já questionou publicamente as vantagens da ZFM agora queira visitar nossas fábricas e conhecer de perto os resultados de um modelo que, anteriormente, ajudou a colocar em dúvida.

Visitar o Polo Industrial de Manaus é fácil.

Difícil é defender, em Brasília, os empregos de mais de 130 mil trabalhadores diretos da indústria e de toda a cadeia econômica que depende do modelo.

Difícil é compreender a realidade amazônica antes de fazer discursos sobre o Amazonas.

Difícil é reconhecer que a Zona Franca de Manaus não é um problema para o Brasil, mas uma solução construída para desenvolver economicamente uma região estratégica, gerar oportunidades e preservar a floresta.

As entidades sindicais defendem uma posição clara: quem pretende governar o Brasil precisa respeitar a Zona Franca de Manaus, seus trabalhadores, suas empresas e sua importância para o desenvolvimento sustentável da Amazônia.

O Amazonas não precisa de visitas protocolares.

Precisa de compromisso.

Precisa de defesa da indústria.

Precisa de empregos.

Precisa de investimentos.

Precisa de respeito à realidade amazônica.

E, acima de tudo, precisa saber qual é a posição de cada candidato sobre a Zona Franca de Manaus antes de qualquer discurso eleitoral dentro das nossas fábricas.

Não aceitaremos que a Zona Franca seja defendida em Manaus durante uma visita e questionada em Brasília quando estiver em jogo a definição das políticas econômicas do país.

Quem entra no Polo Industrial de Manaus precisa compreender que está entrando em um dos maiores patrimônios econômicos e sociais do Amazonas.

A Zona Franca de Manaus pertence aos trabalhadores, às famílias, às empresas e à sociedade amazonense.

E sua defesa não pode ser apenas discurso de campanha.

ENTIDADES

Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas – Sindmetal-AM

Central Única dos Trabalhadores – CUT

Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB

Sindipetro-AM

Força Sindical

SINDECHRSAM

Sindivarejista-AM

SINDICOND/AM

Sindespecial Manaus-AM

Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Manaus – STTRM