Documento que teve o sigilo retirado pelo STF reúne conversas, registros de encontros e informações sobre contratos milionários envolvendo o fundador do Banco Master e pessoas ligadas ao ministro Alexandre de Moraes
Um relatório da Polícia Federal trouxe à tona novas informações sobre a relação entre o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
O documento teve o sigilo retirado na terça-feira (1º) pelo ministro André Mendonça, do STF. Além disso, o material reúne mensagens extraídas do celular de Vorcaro, registros de encontros e informações sobre contratos envolvendo o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes.
Nesse contexto, as informações fazem parte das investigações sobre o Banco Master. Segundo a Polícia Federal, a apuração identificou indícios de operações destinadas a aumentar artificialmente o valor da instituição financeira.
De acordo com a investigação, essa prática teria permitido ao banco atrair bilhões de reais de investidores e realizar operações sem garantias consideradas reais pela PF. Enquanto isso, Vorcaro permanece preso no âmbito das investigações.
1. Banqueiro perguntou a Moraes se deveria deixar o país antes da prisão
Entre os principais pontos, o relatório destaca uma mensagem enviada por Vorcaro a Moraes em 15 de novembro de 2025.
Na conversa, o banqueiro perguntou: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”
Dois dias depois, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal ao tentar embarcar em um jato particular.
Segundo a investigação, as mensagens indicam que os dois conversavam sobre a possibilidade de uma operação da PF contra o banqueiro. Dessa forma, o diálogo passou a integrar o conjunto de informações analisadas pelos investigadores.

2. Moraes teria participado da edição de contrato de R$ 130 milhões
Além da mensagem anterior, outro ponto do relatório envolve um contrato estimado em R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes.
Segundo a PF, registros digitais e metadados indicam que Alexandre de Moraes participou da edição do documento.
No entanto, o escritório da esposa do ministro apresentou outra versão. Em nota, informou que consultou Moraes apenas para verificar possíveis impedimentos legais relacionados à contratação.
De acordo com o escritório, nenhum impedimento foi identificado. Assim, o contrato acabou sendo assinado.

3. Escritório da esposa de Moraes tinha segundo contrato de R$ 50 milhões
Além do primeiro acordo, a investigação encontrou um segundo contrato, no valor de R$ 50 milhões.
O acordo envolvia o escritório de Viviane Barci de Moraes e a Viking Participações, empresa ligada a Vorcaro. Segundo o relatório, o documento teria sido assinado em maio de 2025.
Ainda conforme a PF, mensagens analisadas mostram que um advogado que trabalhava para Vorcaro discutiu formas de quitar o contrato.
Entre as propostas apresentadas, uma previa R$ 40 milhões por meio da entrega de cotas de duas aeronaves. Nesse caso, o acordo envolvia um jatinho e um helicóptero.
Já os outros R$ 10 milhões seriam pagos como reembolso de despesas relacionadas ao uso das aeronaves, segundo a documentação analisada pela investigação.

4. Vorcaro cobrou pagamento ao escritório da esposa de Moraes
Por outro lado, as mensagens também registram uma cobrança de Vorcaro sobre pagamentos ao escritório de Viviane.
Segundo a PF, o banqueiro afirmou a funcionários que aquele pagamento era o “mais importante que temos”.
Na sequência, em conversa com o sócio Angelo Silva, Vorcaro reclamou que o valor ainda não havia sido pago.
Além disso, afirmou: “Vamos ter problemas”.
Com isso, o conteúdo passou a integrar o conjunto de informações analisadas pelos investigadores.

5. Vorcaro disse ter “dívida de vida” com Moraes
Outro trecho relevante aparece em uma mensagem enviada por Vorcaro a Alexandre de Moraes em 14 de novembro de 2025.
Segundo o relatório, o banqueiro afirmou ter uma “dívida de vida” com o ministro e agradeceu por “tudo”.
Na mesma data, os dois trataram de um encontro na residência de Vorcaro.

6. PF aponta diversos encontros entre Vorcaro e Moraes
Entretanto, o trecho divulgado no relatório não apresenta uma explicação definitiva sobre o motivo da expressão usada pelo banqueiro.
Além disso, a investigação aponta que Vorcaro e Moraes teriam se encontrado diversas vezes.
Segundo a PF, mensagens extraídas do celular do banqueiro indicam encontros entre março de 2024 e agosto de 2025.
Dessa maneira, os registros passaram a fazer parte da análise da relação entre o empresário e o ministro.

7. Vorcaro preparou recepção “ultra VIP” para visita de Moraes
Outro episódio citado no relatório ocorreu durante uma visita de Moraes a Campos do Jordão, em dezembro de 2023.
Segundo a PF, Vorcaro orientou funcionários a preparar uma recepção considerada “ultra VIP”.
A programação teria nove convidados e quatro seguranças. Além disso, as mensagens mencionam cantor, cavalos e chef particular.
Nas conversas, o principal convidado aparece identificado como “Alex”. De acordo com a PF, a referência seria ao ministro Alexandre de Moraes.

8. Moraes teria participado de decisões sobre eventos do Banco Master em Londres
Por fim, o relatório aponta que Moraes teria participado de decisões relacionadas a eventos jurídicos promovidos pelo Banco Master em Londres.
Segundo as mensagens analisadas pela PF, nomes de convidados eram submetidos ao ministro.
Além disso, os diálogos registram vetos e alterações na programação dos eventos.
Em uma das conversas, Vorcaro teria afirmado que precisava “aprovar com Alexandre” a lista de convidados.

Relatório amplia pressão por esclarecimentos
A divulgação do material amplia a repercussão do caso Banco Master e coloca no centro do debate a relação entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.
No entanto, é importante destacar que as informações apresentadas pela Polícia Federal integram uma investigação. Portanto, os registros e mensagens citados no relatório não representam, por si só, uma conclusão definitiva sobre eventual prática criminosa.
Ainda assim, o documento reúne contratos milionários, contatos frequentes e conversas que passaram a ser analisadas pelos investigadores.
Nesse cenário, a retirada do sigilo deve aumentar a pressão por esclarecimentos sobre a relação entre o banqueiro e o ministro. Além disso, o conteúdo coloca em evidência a natureza dos contratos envolvendo o escritório da esposa de Moraes e as circunstâncias dos encontros registrados pela investigação.