Lula anuncia mutirão nacional contra a violência de gênero
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta segunda-feira (8), que pretende convocar uma reunião entre os Poderes da República e setores da sociedade para discutir medidas urgentes de combate ao feminicídio. Além disso, ele reforçou que o Brasil precisa reagir imediatamente à escalada da violência contra mulheres.
Inicialmente, Lula explicou que deseja envolver Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal, Superior Tribunal de Justiça, tribunais estaduais, sindicatos e lideranças religiosas. Dessa forma, o governo busca construir um amplo mutirão educacional que alcance todo o país.
“É preciso todo mundo para fazer um mutirão educacional”, afirmou Lula durante a 14ª Conferência Nacional de Assistência Social, realizada em Brasília.
No entanto, o presidente ainda não definiu uma data, mas destacou que pretende realizar o encontro até o fim do ano.
Casos recentes reforçam urgência do debate
Nos últimos dias, diversos casos chocaram o Brasil. Como exemplo, Lula mencionou o episódio envolvendo Tainara Souza Santos, de 31 anos, atropelada e arrastada por cerca de 1 km em São Paulo. Como consequência, a vítima teve as pernas amputadas e permanece internada.
Além desse episódio, o presidente citou o crime ocorrido no Recife, em que um homem é acusado de provocar o incêndio que matou sua esposa grávida e os quatro filhos. Assim, Lula afirmou que a violência de gênero exige uma resposta firme e imediata.
“Quem tem que mudar de comportamento não são as mulheres, são os homens”, disse o presidente, reforçando a responsabilidade masculina no enfrentamento da violência.
Por outro lado, Lula destacou que o problema não é isolado, pois atinge todas as regiões do país.
Brasil registra alta no número de feminicídios
Os dados do Mapa Nacional da Violência de Gênero mostram que o cenário é grave. Segundo o levantamento, 3,7 milhões de mulheres sofreram algum tipo de violência doméstica nos últimos 12 meses. Além disso, o ritmo dos ataques permanece alto.
Em 2024, por exemplo:
- 1.459 mulheres foram vítimas de feminicídio;
- Cerca de 4 mulheres foram assassinadas por dia;
- O Brasil já registrou mais de 1.180 feminicídios;
- O serviço Ligue 180 recebe quase 3 mil atendimentos diários.
Portanto, Lula afirmou que fará do combate à violência contra a mulher uma de suas principais lutas políticas. Segundo ele, a mudança passa pela educação de meninos e jovens.
“É um problema eminentemente educacional. Vamos aprender na escola e educar nossos filhos”, completou.
Lula comenta PEC do Suas durante conferência
Enquanto discutia as ações contra o feminicídio, o presidente também falou sobre a PEC 383/17, que destina 1% da Receita Corrente Líquida para o Sistema Único de Assistência Social (Suas). Atualmente, a proposta está pronta para ser votada no plenário da Câmara.
Lula ressaltou que o Suas é fundamental para o país:
“É uma das coisas mais importantes que criamos. Contudo, é preciso avaliar a viabilidade econômica de um valor fixo.”
O ministro Wellington Dias reforçou o posicionamento:
“A PEC deve garantir cofinanciamento tripartite entre municípios, estados e governo federal.”
Posteriormente, Dias assinou a criação da Mesa Nacional de Negociação Permanente do Suas, um espaço destinado ao diálogo entre trabalhadores e governo. Com isso, o Executivo busca fortalecer as políticas de assistência social.
A proposta de Lula de reunir os Poderes e setores sociais representa um passo importante no combate ao feminicídio. Dessa forma, o governo tenta impulsionar um movimento nacional baseado em educação, conscientização e corresponsabilidade masculina. Assim, o Brasil poderá avançar no enfrentamento da violência de gênero de maneira mais efetiva e integrada.
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