A inflação oficial do Brasil perdeu força em outubro e registrou alta de apenas 0,09%, segundo dados divulgados pelo IBGE. O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado financeiro e representa a menor taxa para o mês desde 1998, quando o índice avançou 0,02%.

IPCA desacelera e surpreende o mercado

O resultado mostra uma forte desaceleração quando comparado a setembro, que havia registrado alta de 0,48%. Além disso, em outubro do ano passado, a inflação foi de 0,56%. Assim, o desempenho atual reforça um cenário mais favorável.

Outro ponto importante é que o IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,68%, abaixo de 5% pela primeira vez desde janeiro. Apesar disso, o número permanece acima do limite da meta de inflação estabelecida para 2025, que varia entre 1,5% e 4,5%.

Mesmo assim, as projeções do mercado indicam que o índice deve retornar ao centro da meta já em fevereiro de 2026, com estimativa de 4,07%.

Energia elétrica puxa inflação para baixo

A redução nas contas de luz foi a principal influência negativa do índice de outubro. Após dispararem 10,3% em setembro, as tarifas de energia elétrica tiveram deflação de 2,39%.

A mudança ocorreu devido à substituição da bandeira tarifária vermelha para o Patamar 1, o que diminuiu o valor adicional cobrado por cada 100 kWh de R$ 7,87 para R$ 4,46.

Alimentos têm leve alta, mas não pressionam o índice

O grupo de alimentação e bebidas registrou leve alta de 0,01%, interrompendo quatro meses seguidos de queda. Mesmo assim, o resultado não pressionou a inflação geral.

Dentro do grupo, a alimentação no domicílio teve nova deflação (-0,16%), puxada pela queda nos preços do arroz (-2,49%) e do leite longa vida (-1,88%). Por outro lado, itens como batata-inglesa (8,56%) e óleo de soja (4,64%) ficaram mais caros.

Já a alimentação fora de casa acelerou e impediu um resultado ainda menor para o IPCA. O grupo subiu 0,46%, influenciado pelo aumento nos preços de lanches (0,75%) e refeições (0,38%).

Variação por grupo em outubro

  • Artigos de residência: -0,34%
  • Habitação: -0,30%
  • Comunicação: -0,16%
  • Alimentação: +0,01%
  • Educação: +0,06%
  • Transportes: +0,11%
  • Saúde e cuidados pessoais: +0,41%
  • Despesas pessoais: +0,45%
  • Vestuário: +0,51%

O que é o IPCA?

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é o indicador oficial da inflação do Brasil. Ele analisa a variação de preços de 377 produtos e serviços, consumidos por famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos.

O índice considera nove grandes grupos de consumo e coleta dados nos principais centros urbanos do país, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Recife, Salvador, Brasília, entre outros.

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